quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ficar sentado por longos períodos está associado ao aumento da prevalência de doenças crônicas

E neste feriado do Dia do Trabalho...........

.............Pois é, pessoal, é realmente o que parece: ficar sentado por longas horas está associado a um risco aumentado de desenvolver doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças cardíovasculares, segundo um estudo recente publicado no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity.
O estudo foi realizado em uma amostra de 63.048 homens australianos com idades entre 45 e 65 anos. Os homens foram convidados para relatar o número de horas que passavam sentados, bem como se eles tinham alguma doença crônica.
A partir disso eles perceberam que os homens que ficavam sentados por mais de 4 horas/dia tinham um risco significativamente maior de desenvolver doença crônica em comparação com os que estavam sentados por menos de 4 horas.
Além disso, a prevalência de doenças crônicas aumentava de acordo como o número de horas que os participantes passavam sentados.

Estes dados são muito importantes... Nós já sabemos que as pessoas mais fisicamente ativas possuem menores riscos de desenvolverem doenças crônicas quando comparadas com as pessoas menos ativas fisicamente e sedentárias, mas o que este estudo traz de novidade é que precisamos observar não somente o grau de atividade de uma pessoa, mas também o período de tempo contínuo que ela passa sentada... pois a quantidade com que ela passa sentada também parece influenciar na saúde.

No entanto, uma questão que permanece neste estudo é se a quantidade de tempo em que se permanece sentado foi a responsável pelo desenvolvimento de doenças crônicas, ou se aqueles com doenças crônicas foram mais propensos a ficarem sentados por mais horas... e isso ainda precisa ser investigado... (quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha??)
Mas, mesmo assim a mensagem que deixo aqui hoje é a de que é importante se movimentar e se exercitar! Isso previne doenças, mas também nos permite aproveitar melhor os nutrientes que consumimos diariamente e também contribui numa melhor qualidade de vida! 
 
Referência utilizada: "Emma S George, Richard R Rosenkranz, and Gregory S Kolt. Chronic disease and sitting time in middle-aged Australian males: findings from the 45 and Up Study". International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity 2013, 10:20.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Dicas para diminuir consumo de sal

Bom, a gente acabou de ver que o elevado consumo de sódio e sal estão relacionados com a hipertensão arterial e com a mortalidade devido à complicãções cardiovasculares...
 
Daí me perguntaram... então, o que podemos fazer para diminuir o consumo de sódio já que tudo que vemos ao redor tem acréscimo do mesmo?
 
Primeiramente é importante afirmar que o sódio é importante para nosso organismo funcionar normalmente, mas que em excesso ele já tem esses efeitos adversos na nossa saúde... por isso é que existem valores de recomendação!
 
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo MÁXIMO de 2000mg de SÓDIO por pessoa ao dia, o que equivale à 5 gramas de sal ou à uma colher rasa de chá! Essa é a quantidade suficiente manter nosso organismo funcionando adequadamente e manter nossa saúde!
 
Contudo, como é de se esperar, estudos mostram que a maior parte dos brasileiros consome praticamente o DOBRO dessa recomendação e isso pode ser explicado pelo fato de o sódio estar presente na maior parte dos alimentos industrializados, tal como vimos no post anterior...
 
Então aqui vão algumas dicas para nos "mantermos na linha" com relação ao consumo de sódio, de acordo com a CGAN (Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição):
 
1) Evite a utilização de temperos prontos e caldos concentrados, eles são ricos em sódio, glutamato monossódico, dentre outros. Para você ter uma idéia do que estou falando, confira abaixo os resultados obtidos após análise de diversas marcas de temperos prontos pelo Pró Teste (Associação Brasileira de Proteção ao Consumidor).
 
clique na imagem para visualizar melhor 
 
2) Por isso mesmo é MUITO importante ler os rótulos das embaagens e averiguar o teor de sódio dos alimentos que você consome. Se a quantidade de sódio presente for MAIOR do que 400mg em 100g do alimento, você já pode considerar o alimento rico em sódio. Deixo abaixo algumas instruções básicas para quando você for ver o rótulo da embalagem...
 
 
 
 
 
3) Utilize ervas desidratadas, temperos naturais, pimenta e sucos de frutas para temperar os alimentos. Aqui vai uma receitinha de como preparar o sal de ervas!
 
 
4) Reduza aos poucos o sal, assim seu paladar irá se acostumar melhor com o novo sabor! As papilas gustativas presentes na nossa boca, que identificam o gosto salgado, demoram cerca de 3 meses para se adaptar à uma dieta reduzida em sal. Por isso, é questão de tempo o costume à uma dieta mais saudável e pobre em sódio. Pense nisso!

 
 
 
 
4) Não utilize saleiro á mesa e não acrescente sal no alimento depois de pronto!!
 
 
 
 
 
Ficam todas essas dicas para vocês!!!!!! Vamos juntos rumo à uma alimentação mais saudável e sem excessos!!

 
 
Referência utilizada: Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição - CGAN < http://nutricao.saude.gov.br >
 
 
 
 
 
 

domingo, 28 de abril de 2013

Falando um pouquinho sobre o sal e a hipertensão...

Em numerosos estudos epidemiológicos, clínicos e experimentais, percebe-se que a ingestão de sódio na dieta tem sido associada ao aumento da pressão arterial, enquanto que a redução na ingestão de sal na dieta tem sido relacionada com a redução dos níveis da pressão arterial.
Os idosos e os indivíduos obesos parecem ser mais sensíveis aos efeitos do sódio na pressão sanguínea, de tal forma que a redução no consumo de sal também reduz os níveis pressóricos.
Dependendo da pressão sanguínea habitual do indivíduo e do grau de redução do consumo de sal, a pressão sistólica pode ser reduzida em 4 a 8 mmHg.
 
Contudo, a maior diminuição nos níveis de pressão arterial é alcançada quando a ingestão reduzida de sal é combinada também com outras intervenções no estilo de vida, tais como um hábito alimentar mais saudável e a realização de atividade física.
Além disso, a elevada ingestão de sal tem sido associada não só com a hipertensão, mas também com aumento do risco de acidente vascular cerebral e da proteinúria (perda excessiva de proteínas através da urina).
 
Agora vem um alerta: o SÓDIO (que está relacionado ao aumento da pressão arterial) não está somente dentro do sal, mas está em inúmeros alimentos que vemos por aí... alguns deles são os alimentos embutidos (como o presunto, mortadela, salsicha, salame); os temperos prontos; a manteiga/margarina com sal; os alimentos defumados ou submetidos a algum processo de conservação utilizando sal; os alimentos enlatados; o macarrão instantâneo, até mesmo nos refrigerantes, dentre outros... por isso esteja atento aos rótulos dos produtos que você consome!
 
Deixo aqui uma ilustração, com base em dados da ANVISA, colocando a média de sódio encontrada em alguns alimentos...

 
Desta forma, a redução da ingestão de sal e de sódio é uma estratégia muito importante que pode retardar ou prevenir a incidência de terapia anti-hipertensiva e pode ajudar na redução da pressão arterial em pacientes hipertensos que recebem a terapia médica, podendo também ser uma medida simples na redução de custos com a morbidade e mortalidade associada à doenças cardiovasculares.
Referência utilizada: Tiberio M. Frisoli, Roland E, Schmieder, Tomasz Grodzicki, Franz H. Messerli. Salt and Hypertension: Is Salt Dietary Reduction Worth the Effort? The American Journal of Medicine. Volume 125, Issue 5 , Pages 433-439, May 2012.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Obesidade e baixo nível de vitamina D estão associados ao risco de Diabetes tipo II

Pois é... parece que a obesidade pode colocar o corpo de uma pessoa em um ciclo vicioso com baixos índices de vitamina D e que esses fatores juntos podem aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo II.
Os pesquisadores descobriram que, quando alguém é obeso e tem baixos níveis de vitamina D, o risco de a resistência à insulina é muito maior do que quando se têm um desses fatores isolados. Em outras palavras, a deficiência de vitamina D e a obesidade, quando combinados, aumentam o risco de desenvolver resistência à insulina muito mais do que apenas a obesidade ou simplesmente o baixo nível de vitamina D no organismo.
A equipe descobriu também que as pessoas com níveis normais ​​de vitamina D e que eram obesas tinham quase 20 vezes mais chance de possuírem resistência à insulina em comparação com o resto da população. No entanto, pessoas obesas e com baixos níveis séricos de vitamina D eram cerca de 32 vezes mais propensas a ter a resistência à insulina.
E, mais uma vez, nosso metabolismo mostra que é muito perspicaz e está interligado entre si, reagindo de acordo com o que comemos e com o que fazemos com nosso organismo ao longo da nossa vida...
 
Referência utilizada: Karani S. Vimaleswaran, Diane J. Berry, Chen Lu, Emmi Tikkanen, Stefan Pilz, Linda T. Hiraki, et al. "Causal Relationship between Obesity and Vitamin D Status: Bi-Directional Mendelian Randomization Analysis of Multiple Cohorts" PLOS Medicine February 2013 | Volume 10 | Issue 2 | e1001383

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A obesidade pode estar associada à deficiência de vitamina D

Um estudo associou o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado com baixos níveis de vitamina D, o que é muito relevante considerando o atual aumento da obesidade em todo o mundo.
Mais de 42.000 pessoas de 21 países participaram do estudo. Os pesquisadores tentaram identificar variações genéticas que poderiam estar envolvidas com o IMC e a vitamina D.
Com isso, os pesquisadores descobriram uma a associação entre o IMC elevado e o baixo teor de vitamina D entre todos os diferentes grupos demográficos. Perceberam que à cada 10% de aumento do IMC há uma queda de 4,2% das taxas de vitamina D.
Isso sugere que o IMC mais elevado pode de alguma forma contribuir para menores níveis de vitamina D no organismo, fornecendo evidências para o papel da obesidade como um possível fator de risco causal para o desenvolvimento da deficiência de vitamina D.
O dado revela a importância do monitoramento e medição dos níveis de vitamina D entre indivíduos obesos, lembrando que a vitamina D é essencial para a saúde óssea e está associada também com a prevenção de câncer, diabetes e hipertensão.
Isso tudo é muito importante... para quem pensa que a deficiência de nutrientes ocorre somente em casos de desnutrição e privação do consumo alimentar... hoje já podemos percerber que na obesidade também podemos encontrar deficiência de nutrientes! E isso provavelmente está relacionado com as influências adversas que o excesso de adiposidade possui sobre a saúde do nosso organismo...
Pois é, meus caros leitores, podemos perceber o enorme impacto que o nosso corpo como um todo sofre em condições de excesso de peso e de gordura corporal através de interações com o nosso metabolismo... a obesidade é somente “a ponta do iceberg” que estamos vendo no cenário atual... dentro dela muitas outras coisas estão contidas e vão se manifestando no nosso cotidiano, no cenário de saúde pública, nas pesquisas e nas doenças crônicas (diabetes, dislipidemia, doença cardiovascular, hipertensão...) que vemos se alastrar atualmente na população mundial!
Referência utilizada: Karani S. Vimaleswaran, Diane J. Berry, Chen Lu, Emmi Tikkanen, Stefan Pilz, Linda T. Hiraki, et al. "Causal Relationship between Obesity and Vitamin D Status: Bi-Directional Mendelian Randomization Analysis of Multiple Cohorts" PLOS Medicine February 2013 | Volume 10 | Issue 2 | e1001383

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Primeiro mês de blog!

Olá Pessoal!

Hoje celebramos 1 mês de blog e, pela minha surpresa, já ultrapassamos 800 visualizações de página desde então...

Fico muito feliz em sentir o feedback positivo de vocês e de perceber o quanto instigados estamos em saber um pouquinho mais sobre a alimentação e os caminhos que perpassam por ela no destino à melhora da qualidade de vida e saúde.

Hoje, deixo mais um vídeo extremamente interessante e, de verdade, VALE MUITO A PENA ASSISTIR! O link está logo abaixo e você pode assistir de forma gratuita!

Este vídeo é parte de um discurso de Jamie Oliver a respeito da epidemia de obesidade que enfrentamos em todo o mundo, caracterizado pelo aumento das taxas de diabetes, doenças cardíacas, câncer e outras doenças relacionadas ao estilo de vida... e, além de adultos, cada vez mais as crianças estão sendo acometidas pela obesidade e seus efeitos....

Desta forma, neste vídeo, ele reforça a importância de que as crianças aprendam sobre alimentação e nutrição...
 
É hora de começar a ensinar as crianças sobre a sua alimentação e, meus caros, acredito profundamente que o primeiro passo é alimentar essas crianças com uma comida que exemplifique, na prática, uma dieta saudável!
 
Nós estamos dando o exemplo? Estamos ensinando ou distorcendo valores e conceitos???
 
Fica a dica: Vamos pensar....!


domingo, 21 de abril de 2013

Um pouquinho sobre os pró e prebióticos

Todos nós temos bactérias vivendo em nosso intestino. Isso pode parecer ruim, mas não é! Essas bactérias são muito importantes para que as coisas funcionem bem dentro da gente... Estas bactérias que vivem no nosso intestino são "amigáveis", pois evitam a presença de bactérias ruins em nosso organismo. Essas bactérias que temos em nosso corpo também ajudam a fazer a vitamina K e a manter o sistema imunológico funcionando adequadamente.

Normalmente nós temos uma grande quantidade de bactérias “amigáveis” no nosso organismo. No entanto, a terapia antibiótica, o estresse e as más escolhas alimentares podem causar o que chamamos de Disbiose Intestinal, ou seja, o desequilíbrio na flora bacteriana, o que resulta no crescimento excessivo de bactérias ruins e leveduras.

Em um cenário de disbiose, os prebióticos e probióticos podem ajudar muito ao restaurarem o equilíbrio das bactérias no nosso trato digestivo...
Os probióticos são bactérias benéficas que podem ser encontrados em vários alimentos, ou na forma de suplementos dietéticos. Ao consumir probióticos, adicionamos bactérias saudáveis ​​no nosso trato intestinal. As cepas mais comumente encontradas incluem os Lactobacillos e Bifidobacterium, ambas famílias de bactérias.
As bactérias probióticas como os Lactobacilos são encontrados naturalmente em alimentos fermentados, como o iogurte. Alguns alimentos possuem a adicição de probióticos como ​​ingredientes, sendo especificada no rótulo das embalagens.
Já os prebióticos são alimentos não digeríveis que fazem o seu caminho através do nosso sistema digestivo e ajudam as bactérias boas a crescerem, ou seja, são os “combustíveis” para as nossas bactérias “amigáveis”. Desta forma, os prebióticos também ajudam a alimentar e manter nossa flora bacteriana saudável.
Os prebióticos vêm principalmente a partir de carboidratos chamados de oligossacarídeos. Os oligossacáridos não são digeridos e por isso permanecem no aparelho digestivo onde estimulam o crescimento de bactérias benéficas. As principais fontes de oligossacarídeos são as frutas, legumes e grãos integrais.

E aí pessoal...? Dá pra gente perceber o quanto somos integrados como um todo... e que tudo em equilíbrio faz tão bem para nosso organismo... até mesmo as bactérias são benéficas! Mas antes de sair por aí em busca desenfreada por pró e prebióticos consulte um profissional Nutricionista que avalie suas reais necessidades e prescreva seu uso de forma adequada!

Referências utilizadas:
Collins MD, Gibson GR. "Probiotics, prebiotics, and synbiotics: approaches for modulating the microbial ecology of the gut." Am J Clin Nutr. 1999 May;69(5):1052S-1057S.

Lamoureux L, Roy D, Gauthier SF. "Production of oligosaccharides in yogurt containing bifidobacteria and yogurt cultures." J Dairy Sci. 2002 May;85(5):1058-69.